terça-feira, 24 de novembro de 2015

FLORESTAS BRASILEIRAS

O Brasil possui um patrimônio ambiental incomparável, constituído pelo seu riquíssimo acervo florestal. Contudo, quanto maior é a vastidão das nossas matas, maior será a ambição dos exploradores e consequentemente o risco de degradação. O desmatamento causado por um modelo desorndenado de exploração madeireira vai provocar uma cadeia de inter-relações de múltiplos processos de degradação ambiental. Além da sumária eliminação de espécies vegetais e animais, incluindo algumas espécies ainda desconhecidas, a destruição das florestas traz diversos efeitos nocivos a toda vida natural, interferindo na qualidade do ar e das águas, na composição do solo e no regime das chuvas, que são condições fundamentais do equilíbrio do ecossistema terrestre.
      O velho método tradicional de produção econômica fazia a derrubada das matas para transformar as florestas em terreno agrícola e de pastagem. Além de destruir um patrimônio público único, este sistema ultrapassado implica em uma série de danos e desequilíbrios ambientais  em vastas regiões. Uma fórmula racional de exploração das riquezas florestais não pode permitir a destruição das matas, sob pena de comprometer as condições essenciais que favorecem a existência dos seres vivos em geral.
O Brasil possui mais da metade de toda área de floresta tropical do planeta e por isso é um dos principais focos de devastação. A Mata Atlântica, por exemplo, que antes conbria todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, tem hoje apenas 7% da sua área original preservada. A origem histórica da sua destruição pode ser explicada pelo método dos exploradores portugueses, que implantou no país uma falsa cultura de abundância, através de um sistema baseado na política da "terra arrasada".
Os colonizadores consideravam que o solo era descartável e o concessionário de terra podia explorar ao máximo uma área, extraindo toda a riqueza disponível, para que assim pudesse ter direito à uma nova área de exploração e assim sucessivamente. Com o passar do tempo, a Mata Atlântica, considerada a floresta mais rica em biodiversidade do mundo, foi dando lugar a imensos campos agrícolas e de pastagem. Em 2006 foi aprovada a Lei da Mata Atlântica, que disciplina os métodos de proteção e regeneração deste importante patrimônio natural, além das normas já existentes no atual Código Florestal e na Lei dos Crimes Ambientais.
Outro sistema florestal brasileiro praticamente dizimado é a Mata das Araucárias, que antes se estendia do interior do estado de São Paulo até o interior do Rio Grande do Sul. Essa imensa floresta de pinheiros forneceu matéria-prima para a indústria madeireira do sul do Brasil durante cerca de duzentos anos de exploração depredatória. Atualmente a Mata das Araucárias, também conhecida como Mata dos Pinheiros do Paraná, está reduzida a apenas 2 ou 3% da sua área original. Desta forma, muitas espécies animais, entre roedores, aves e insetos que se alimentam do pinhão - o fruto dos pinheiros - também estão ameaçadas de extinção.
Um dos drásticos efeitos do processo de desmatamento é a erosão do solo que fica totalmente desprotegido sem a vegetação, causando uma chocante desertificação de extensas áreas que antes eram ocupadas por vastas florestas. Na região da Mata Atlântica, rios importantes para a economia regional e para o equilíbrio do meio ambiente, como o Paraíba do Sul, o São Francisco, o Doce e o Jequitinhonha, encontram-se atualmente muito ameaçados. Além de altamente poluídos, são constantemente assoreados por sedimentos arrastados pela erosão causada pela derrubada das matas ciliares. 
Um enorme desafio brasileiro é o controle da exploração das riquezas da Floresta Amazônica, que engloba uma área 550 milhões de hectares, no território de nove estados brasileiros (Amazônia Legal), e mais 220 milhões de hectares nos países vizinhos, formando o fenômeno geográfico da “Concha Amazônica”, a maior e mais importante área de floresta tropical do mundo. 
A pujança da Floresta Amazônica é algo espantoso. Nas suas águas, por exemplo, encontramos milhares de espécies de peixes e outros animais que constituem um vasto manancial para a piscicultura e a aquicultura, que são as maiores fontes de proteínas para a alimentação humana. É inestimável o valor de toda fauna e flora amazônicas, que diariamente sofrem agressões pelo desmatamento, através da extração ilegal de madeira, da caça predatória e do tráfico de animais e plantas, entre outras formas criminosas de exploração. Além disso, existem também na Amazônia importantes reservas de petróleo e um subsolo riquíssimo em minérios (ferro, ouro, platina, cobre, bauxita, cassiterita, urânio, titânio e ióbio), que formam uma das maiores bacias minerais da Terra.
Apesar da região amazônica ser tão exuberante, o equilíbrio de seu ecossistema demonstra grande fragilidade diante das atividades exploratórias do ser humano. Imensas áreas de floresta são anualmente destruídas por queimadas e a mineração clandestina está envenenando as águas em razão da grande quantidade de mercúrio despejada pelo garimpo nos rios. Todos os brasileiros de todos os recantos do país, assim como todos os cidadãos do mundo, precisam conhecer e compreender as potencialidades da Amazônia, que é uma região fundamental não só para o desenvolvimento do Brasil, mas para o equilíbrio ecológico de todo o planeta.
É primordial que seja implementado um grande projeto nacional de desenvolvimento e crescimento sustentado para a Floresta Amazônica, favorecendo a exploração racional dos seus recursos naturais, para garantir a sua indispensável preservação. As comunidades internacionais têm manifestado preocupação e interesse na preservação da Amazônia. Em razão das queimadas, o Brasil é o 4º país que mais lança dióxido de carbono na atmosfera, colaborando com o processo de aceleração do aquecimento global. 
Além do risco de se perder a vasta biodiversidade que compõe este inigualável patrimônio natural inigualável, o desmatamento resultante das derrubadas e das permanentes queimadas acaba interferindo no equilíbrio climático, alterando as paisagens, as temperaturas e o regime de chuvas. Os países mais ricos, que são os maiores importadores de madeira, têm indiscutivelmente a maior parte da responsabilidade pelo desmatamento no mundo. 
É incontestável o fato de que as nações mais desenvolvidas do hemisfério norte já devastaram as suas próprias florestas e agora, para o bem ou para o mal, voltam suas atenções par as florestas dos países em desenvolvimento. Esta circunstância, contudo, não pode servir de motivo para o Brasil dispor indiscriminadamente do seu patrimônio, porque não devemos repetir os mesmos erros, nem culpar as nações do presente pelos equívocos cometidos no passado.
Diante da inércia e da incapacidade do Brasil em lidar com a questão amazônica e, ainda, sobretudo, porque o mundo vive uma grande crise de desflorestamento, o interesse internacional pela Floresta Amazônica não deve ser visto apenas como mais um ato de intromissão estrangeira nos assuntos nacionais. O Brasil deverá utilizar a força de sua inquestionável soberania sobre a maior parte da região amazônico, para mostrar ao mundo nosso compromisso e nossa responsabilidade ambiental, ao promovermos ações administrativas efetivas no sentido de preservar o patrimônio florestal brasileiro como um todo, ajudando, desta forma, a preservar o equilíbrio ecológico de todo o planeta.